mas se eu pudesse vivia entre os teus braços. Fazia de ti a minha casa, porque é em ti – e contigo – que me sinto segura. É como se me protegesses, entendes? E que todas aquelas frases como fica-comigo ou nunca-me-deixes fizessem cada vez mais sentido. Porque é isso: eu não quero que me deixes. Eu quero que fiques e que não vás. Ou mesmo que vás que voltes sempre. É que eu preciso de ti e eu sei que tu também precisas de mim. Eu acostumei-me, sabes? A esse teu jeito de ser. Que é tão parecido ao meu. E quando tu vais… Quando tu vais deixas aquele gostinho de “quero mais”. Deixas uma saudade insana de quem sente vontade que tu voltes e não vás nunca mais. Porque, eu nunca te disse, mas estar contigo adormece os meus medos. É ter paz interior e sentir-me completa, ainda que eu saiba que sou inteira sem ti. Que não me falta nenhuma metade, porque antes de haver eu-contigo já havia eu-sem-ti. O problema – e é daqueles problemas bonitos de que te falei – é que eu além de te querer, eu preciso de ti. Porque mesmo que te mande embora inúmeras vezes, eu quero que tu fiques. Eu preciso que tu fiques. Que me beijes enquanto discutimos ou que me abraces sem que eu te peça. No meio da rua, ou apenas entre quatro paredes. Quero apenas que fiques. Sem metades. Sempre, sempre, inteiro. Porque, tu não sabes, mas não existe embrulho que me tape de ti. Não existe nada que te impeça de me veres tal como eu sou. E ainda que não acredites tudo tem uma razão de ser. E a minha és tu. Que me fazes ir ficando. Devagarinho. Como quem não tem pressa. Somos nós. Tornando-nos Grandes. Enormes. Porque juntos somos Maiores. – Ainda que eu me ponha em biquinhos de pés.

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